Minha secretária não sabe vender

Ela sabe atender. O que ninguém nunca escreveu é o que ela deveria perguntar antes de falar o preço.

AtendimentoWhatsApp

1Cliente perguntou o valor da consulta
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5Enviado o preço

sem retorno

Entre a pergunta e o preço deveria existir uma conversa.

Quando um dono me diz que a secretária não sabe vender, quase sempre o que aconteceu é isso: ela nunca recebeu um roteiro, e ninguém nunca sentou com ela para dizer o que fazer quando a pessoa pergunta o preço.

Ela faz o que parece certo. Alguém pergunta quanto custa, ela responde quanto custa. É educado, é rápido, é honesto. E é exatamente o que faz a pessoa ir embora, porque um valor sozinho não tem com o que ser comparado, a não ser com o preço de quem cobra menos.

Isso não é falta de vontade dela. É falta de processo. E processo é responsabilidade de quem contratou, não de quem atende.

Vale dizer uma coisa que aprendi do jeito difícil: entregar um manual bonito na mão de alguém raramente muda o atendimento. Documento não executa. O que muda é quando o roteiro está escrito na tela de quem atende, na hora em que a mensagem chega.

Os cinco passos que faltam nessa conversa

Essa é a estrutura que eu deixo montada para quem atende. Serve para clínica, para serviço, para qualquer coisa em que a pessoa compra uma decisão e não um produto de prateleira.

Entender a situação

Antes de qualquer valor, saber onde a pessoa está. Há quanto tempo ela tem esse problema, o que já tentou, com quem já foi. Duas ou três perguntas bastam, e elas mudam tudo o que vem depois, porque agora quem atende sabe com quem está falando.

“Antes de te passar os valores, me conta rapidinho: isso vem te incomodando há quanto tempo?”

Nomear o que ela quer resolver

A pessoa raramente diz de primeira o que realmente a trouxe. Ela fala do sintoma. Quem atende precisa chegar no que a incomoda de verdade, e principalmente no porquê de ser agora, e não no ano passado.

“E o que te fez procurar justamente agora?”

Deixar ela dizer o que está custando

Esse é o passo que quase todo mundo pula, por educação. Não é constranger ninguém. É deixar a pessoa colocar em palavras o que já está pagando por continuar do jeito que está, em dinheiro, em tempo, em tentativa que não deu certo. Quando ela mesma diz isso em voz alta, o preço passa a ser comparado com o custo de não resolver, e não com o preço do concorrente.

“E como isso tem atrapalhado o seu dia a dia?”

Mostrar alguém parecido e só então a solução

Caso de alguém na mesma situação, que resolveu ali. Depois disso, e só depois, explicar o que a clínica faz, como funciona, quanto tempo leva. Na ordem contrária isso vira folheto. Na ordem certa, vira resposta para o que a pessoa acabou de contar.

“A gente atende bastante gente com essa mesma queixa. Deixa eu te explicar como o doutor conduz esse caso.”

Fechar oferecendo horário, não perguntando se ela quer

“Quer agendar?” devolve a decisão para uma pessoa que está em dúvida, e dúvida sempre escolhe esperar. Dois horários concretos transformam a decisão em escolha simples. E é aqui que entra a condição de pagamento, que é o que segura a agenda de verdade.

“Tenho terça às 14h e quinta às 9h. Qual fica melhor para você?”

O que eu encontrei numa clínica que já anunciava

O anúncio levava direto para o WhatsApp. Chegava mensagem todo dia. A agenda não enchia.

O perfil tinha a logo, não um rosto

Quem chega quer saber com quem está falando. Foto de logo no WhatsApp faz a conversa começar como atendimento de empresa, e não como uma pessoa cuidando de outra.

A resposta demorava

Nesse intervalo a pessoa já escreveu para outros lugares. Quem responde primeiro não ganha por mérito, ganha por estar lá.

A primeira mensagem era copiada

Bloco de texto pronto, enviado antes de saber qualquer coisa sobre quem chegou. O problema não é usar texto pronto, é usar sem contexto.

Só o preço era dito

Nada sobre o que a pessoa ganha, o que muda, por que aquele valor sai barato comparado ao que a incomodou o suficiente para ela tocar num anúncio.

Quem não respondeu foi chamado uma vez

Uma tentativa e pronto. Só que a pessoa não ignorou de propósito: ela abriu a mensagem no meio do trabalho, pensou em responder depois e o dia passou por cima. Chamar de novo, em outro dia, não é insistência. É lembrar alguém que já tinha interesse.

Uma coisa simples que enche a agenda

Fechar o horário é uma coisa. A pessoa aparecer é outra, e é aí que a agenda de clínica sangra.

Compromisso na hora de agendar

Uma clínica que atendo passou a oferecer desconto para quem paga a consulta no momento do agendamento, e para quem não quer pagar tudo, uma taxa de agendamento equivalente a uma parte do valor, que garante o horário. A falta e a remarcação caíram.

O motivo é simples: horário que não custou nada é fácil de desmarcar. Quando existe algum compromisso financeiro, por pequeno que seja, a pessoa organiza o dia dela para ir.

Quem atende não precisa aprender a vender. Precisa saber o que perguntar, em que ordem, e o que dizer quando a pessoa diz que vai pensar.

Luis Henrique, da Acutis Tráfego Digital

Raio-X do Movimento

Uma conversa de 45 minutos, sem custo. Eu te peço para abrir as últimas cinco conversas que não viraram agendamento, e a gente lê juntos. Você vai ver exatamente em que ponto cada uma parou. No fim, você sabe em qual dos dez pontos a sua venda está travando.

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